Brasil e Japão atribuem ao governo de Moçambique a responsabilidade pelo Prosavana

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... e defendem que só estão no programa porque o Governo de Maputo os solicitou

HILARIO AGOSTINHO

Depois de apresentadas inquietações sobre os males que o Prosavana irá trazer para os camponeses moçambicanos (de facto, algumas consequências já se fazem sentir), os Governos de Brasil e Japão vieram em defesa dos seus países, alegando que só estão no programa porque o Governo de Moçambique assim os solicitou, estando eles apenas a contribuir como podem para o desenvolvimento da agricultura na região norte do país.

O representante do Governo Brasileiro (embaixada do Brasil em Maputo), Matheus de Carvalho, que falou para mais de 250 pessoas na Conferência Triangular dos Povos sobre o ProSavana – 24 de Julho de 2010 - defendeu sua parte referindo que seu país está presente no Prosavana para o desenvolvimento agrícola na área de pesquisa e tecnológica, assim como no melhoramento de sementes locais, para “ajudar os Moçambicanos”.

Mulheres impedidas de buscar lenha e outras culturas no corredor de Nacala

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ISAURA SUZETE*

Já existem evidencias de usurpação de terras na região onde ProSavana vem sendo implementado bem como outras consequências negativas para os camponeses em geral mas em particular para as mulheres. Na província de Nampula, as mulheres estão impedidas de atravessar e passar nas zonas onde as empresas operam no âmbito daquele programa, e isso restringe o acesso a lenha e outras culturas que as mulheres habitualmente buscavam no campo. Esta realidade foi denunciada durante o painel de discussão sob o tema “Desafios estruturais para o desenvolvimento da agricultura camponesa em Moçambique: demandas dos povos em relação ao ProSavana”, no âmbito da Segunda Triangular dos Povos, realizada a 24 de julho de 2014, em Maputo.

Parar com ProSavana e redefinir politicas agrícolas inclusivas e sustentáveis – exigem os povos de Moçambique, Japão e Brasil

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ISAURA SUZETE*

Organizações da sociedade civil moçambicana exigem que se pare com as acções do ProSavana e que haja uma coordenação entre o governo e a sociedade civil no redesenho das politicas da agricultura, dando-se maior enfoque ao apoio da agricultura familiar.

Estas constatações foram feitas durante a Segunda Conferencia Triangular dos Povos – Moçambique, Japão e Brasil, realizada esta quinta-feira (24 de Julho), em Maputo com a participação de cerca de 250 pessoas, desde organizações da sociedade civil, camponeses, empresários e representantes do Ministério da Agricultura.