“Agroecologia veio para ficar em Marracuene” – assumem camponeses da Associação agrícola Alfredo Nhamitete
LVC Africa News

Maputo, 14 de Julho de 2014 – A adopção de métodos de produção agroecológica é uma medida que chegou para ficar no seio dos camponeses da Associação agrícola Alfredo Nhamitete, membros da União Nacional de Camponeses (UNAC), em Marracuene, sul de Moçambique. Esta constatação surgiu no âmbito de uma visita de troca de experiencia entre os referidos camponeses e membros do Fórum dos Pequenos Agricultores Orgânicos do Zimbabwe (ZIMSOFF – sigla em inglês) e a Via Campesina, a 9 de Julho.
Os 280 membros da associação produzem diversas culturas alimentares, com destaque para batata doce, cenoura, repolho, cebola, couve, feijão, alface, beringela, entre outros. Parte da produção é comercializada no mercado local e os ingressos são partilhados por igual entre os membros.
“Com o dinheiro consigo mandar os meus filhos para a escola e comprar o material escolar”, testemunhou uma camponesa, membro da associação.
A União Nacional de Camponeses fornece apoio técnico a esta associação, para aprendizagem e aperfeiçoamento das técnicas de produção, usando métodos agroecologicos sustentáveis e baratos. A delegação da ZIMSOFF e Via Campesina visitou um campo de demostração e aprendizagem em Marracuene onde, uma vez por semana, os camponeses das várias associações de camponeses do distrito de Marracuene aperfeiçoam suas técnicas e replicam-nas em suas machambas familiares.
“Os resultados da produção são excelentes. Algumas pessoas se surpreendem com a qualidade dos produtos que saem da minha machamba e me chamam de feiticeira”, testemunhou outra camponesa, membro da associação.
Elizabeth Mpofu, presidente da ZIMSOFF e coordenadora geral da Via Campesina, mostrou-se satisfeita com a experiência de Marracuene e com o papel que a mulher joga na liderança das associações.
Para Mpofu, a UNAC deve intensificar o apoio às associações de camponeses tanto no aspecto técnico como na formação política.
O presidente da UNAC, Augusto Mafigo, que acompanhou a delegação, explicou que é necessário promover o consumo de produtos agroecológicos a nível local e destacar as suas vantagens para o consumidor.
“É importante explicar as pessoas que os nossos produtos são de camponeses locais, são agroecologicos e são bons para a saúde. Os consumidores precisam começar a entender as vantagens disso”, disse.
A terra é minha paixão...
Emanuel Jaime David, um dos camponeses membros da associação disse à nossa equipa que, resistindo à propaganda das empresas de venda de fertilizantes, disse a LVC Africa News que nunca utilizou fertilizantes químicos na produção de alimentos, porque entende que danificam a terra.
“Sou camponês há 38 anos e nunca usei fertilizantes químicos na minha machamba porque sei que destroem a terra. A minha paixão é a terra e o que ela me oferece. Tenho de cuida-la”, disse.
De acordo com Elizabeth Mpofu, para além da recusa no uso de insumos agro-químicos, parte crucial do sucesso na produção agroecológica é a disponibilidade e uso de variedades locais de sementes. Segundo explicou Mpofu, as variedades nativas são cultural e socialmente mais adaptáveis, para além de serem mais baratas e cada vez mais relevantes no contexto atual de mudanças climáticas.
A União Nacional de Camponeses está a desenvolver um programa de produção e conservação de sementes nativas em parceria com o Movimento dos Pequenos Agricultores do Brasil, desde 2012, visando a valorização destas variedades e o fortalecimento da agricultura camponesa em Moçambique.






